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Mercado Jurídico Colorido

  • Amanda Narangeira
  • 6 de jun. de 2018
  • 2 min de leitura

A colisão do mundo LGBTQI+ com o mercado jurídico brasileiro

Basta uma simples busca na internet para perceber o quão difícil é encontrar informações e dados sobre a presença do grupo LGBTQI+ no ambiente de trabalho, em especial na área jurídica. O preconceito contra esse grupo acontece dentro de casa, em escolas, instituições religiosas, e na comunidade como um todo, resultando em espaços sem oportunidades.


De acordo com um estudo feito pela Human Rights Campaign Foundation, 53% das pessoas LGBT não se declaram como tal no meio corporativo, sendo as principais razões a preocupação das outras pessoas de se sentirem desconfortáveis e de perder a amizade com colegas de trabalho. E nesse contexto, 30% daqueles que não se declaram abertamente LGBT se sentem infelizes e deprimidos.


Ambiente de trabalho é ainda muito discriminador e pouco ocupado pela comunidade LGBT. Foto: Reprodução/UOL

A carreira do Direito é ainda uma das mais conservadoras e machistas, a profissão que surgiu no século XIX carrega uma herança de sociedade conservadora e masculinizada. Embora as discussões sobre a diversidade sexual tenham começado agora nas universidades brasileiras, as instituições legais ainda estão longe de debater sobre a inclusão desse grupo minoritário no mercado jurídico.


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Foi apenas no ano de 2017 que o Brasil teve a primeira advogada transexual, Márcia Rocha, trabalhando com o nome social. Ela pediu autorização para usar o nome em 2013, e recebeu a resposta da OAB quatro anos depois.


Na cerimônia da entrega do documento tão simbólico em tempos de retrocesso, Márcia afirmou a importância do certificado, “morrem pessoas todos os dias por conta unicamente do preconceito. Portanto, a possibilidade de fazer com que as pessoas pensem sobre o assunto e nos vejam enquanto seres humanos, capazes de trabalhar e exercer uma profissão com seriedade, como é a advocacia, eu acho extremamente importante”.


Márcia Rocha em frente ao Fórum João Mendes, no Centro de São Paulo. Foto: Marcelo Brandt. Reprodução/G1


Pessoas LGBT+ devem se sentir seguras e confortáveis em seu ambiente de trabalho, sem receio de represálias, afinal estão exercendo um direito de todos, garantindo o seu sustento e oferecendo seu labor a toda sociedade. É preciso garantir as mesmas oportunidades a todos os profissionais, independente de gênero ou orientação sexual. E se essa mudança estrutural no mercado de trabalho partir de um setor tradicionalmente conservador e que representa as relações da sociedade, como o Direito, sem dúvida será mais fácil de se estender a todos os outros setores.




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